EPAL 2018

XXXIII ENCONTRO DE PESQUISADORES DA AMÉRICA LATINA (EPAL)

 

Prezados (as),

O XXXIII Encontro ocorreu no dia 11 de junho, segunda-feira, entre às 14 e 17:30 horas, no Favo 1 das Colméias (antiga sede do PROLAM/USP, em frente ao CINUSP), na rua do Anfiteatro 181, no campus Cidade Universitária da Universidade de São Paulo. Na ocasião contamos com a seguinte programação:

Os povos indígenas e o constitucionalismo latino-americano: entre o multiculturalismo neoliberal da década de 1990 e a interculturalidade decolonial do século XXI

Bruna Muriel Huertas Fuscaldo (UFABC)

O trabalho busca compreender os aspectos inovadores do constitucionalismo latino-americano do século XXI, através do debate sobre as diferenças entre a proposta da interculturalidade, prevista pelas últimas Constituições equatoriana (2008) e boliviana (2009), e o projeto do multiculturalismo liberal implementado no âmbito do constitucionalismo latino-americano da década de 1990.

Observamos que subjaz a ideia da interculturalidade um projeto político de superação tanto das hierarquias que inferiorizam os povos indígenas quanto de sua situação de marginalização social no interior de um sistema social percebido como sistema moderno capitalista e colonial. Enquanto isso, os programas políticos de promoção de direitos e de reconhecimento da diversidade étnico-cultural do multiculturalismo liberal evidenciaram, muitas vezes, um caráter profundamente conservador, ao considerarem os povos indígenas como beneficiários de direitos e políticas sociais específicas e localizadas, sem que eles jamais formassem parte dos processos decisórios da política nacional. Além disso, por diversas vezes os programas concederam um caráter “apolítico” às políticas da diversidade, obliterando as reais relações de poder e de exploração econômica existentes.

Nesse sentido, entende-se que, embora as reformas constitucionais multiculturais neoliberais da década de 1990 tenham desafiado a perspectiva do Estado-nação homogêneo e monocultural na América Latina, elas não apontaram para a modificação das estruturas do poder político e econômico que organizam o Estado e que, na região, sempre esteve concentrada nas mãos das elites político-econômicas, brancas. Diferentemente, o constitucionalismo transformador da Bolívia e do Equador do século XXI desafiam o sistema capitalista e colonial ao preverem ações políticas emancipatórias, que apontam para a ruptura com a histórica situação de marginalização social e com a sistemática inferiorização destes povos.

 

Mulheres bolivianas e trabalho doméstico em São Paulo

Eloah Maria Martins Vieira (UFPE) 

Os movimentos migratórios de pessoas vindas de outros países da América Latina para o Brasil são intensos. Na cidade de São Paulo, estima-se que a comunidade boliviana corresponda a 300 mil pessoas (FIORAVANTI, 2015). Com relação aos/às bolivianos/as imigrantes residindo na Região Metropolitana de São Paulo, quase a metade são mulheres (XAVIER, 2012). Neste artigo, pretendemos discutir como que mulheres bolivianas na cidade de São Paulo articulam o trabalho doméstico em suas casas e famílias. Ou seja, estamos refletindo sobre as estratégias de mulheres bolivianas na cidade de São Paulo para a execução dos trabalhos de limpeza, cozinha e cuidado com seus filhos. Considerando que o trabalho doméstico é intermitente e equivale a grande parte do dia de muitas mulheres (POMBO, 2010; ÁVILA, 2009), destacamos a importância e pertinência de estudá-lo. Ainda que tanto no Brasil como na Bolívia, o trabalho doméstico seja culturalmente associado às mulheres (DURHAM,1983; PARELLA,2012), a imigração de bolivianas para São Paulo pode significar o contato destas imigrantes com diferentes modos de organização deste trabalho ou a necessidade de reorganizá-lo em suas casas ou famílias. A partir de outras pesquisas, podemos observar uma multiplicidade de estratatégias para a execução do trabalho doméstico: contratação de trabalhadora doméstica, jornada de trabalho simultânea, dupla jornada de trabalho. Podemos pensar também em cadeias globais de cuidado (PÉREZ OROZCO, 2010) compostas por mulheres que, caso tenham filhos, podem migrar e seus filhos podem permanecer no país de origem. O artigo em questão é fruto de um mestrado em desenvolvimento. No presente momento, estamos em campo, coletando dados através de entrevistas e observação participante. A partir do contato com algumas mulheres bolivianas em São Paulo, percebemos que de fato as estratégias de execução são diversas. Pudemos escutar em campo mulheres que afirmam que seus maridos participam da execução do trabalho doméstico, sendo esta uma condição do seu relacionamento, assim como mulheres que se afirmaram como “mães solas” e migraram acompanhadas por trabalhadoras domésticas bolivianas. Além disso, também conhecemos mulheres que imigraram sozinhas e seus filhos ficaram na Bolívia, podendo configurar uma cadeia global de cuidado. Passado um tempo, seus filhos, ainda crianças, migraram pra São Paulo. Atualmente, algumas destas mulheres participam do trabalho de cuidado para com seus netos. Dessa forma, podemos pensar como as estratégias para execução do trabalho doméstico variam não só entre mulheres, como ao longo do tempo. Portanto, a análise destas estratégias podem elucidar diferentes dimensões das vidas das bolivianas e relações construídas entre Bolívia e Brasil

 

AMNÉSIA COLETIVA:Silêncio, medo e censura nos períodos de transição política e suas continuidades

Adriana Gianvecchio (USP)

As ditaduras da América Latina, em geral, e seus mecanismos de controle são muito semelhantes, uma vez que as estratégias de dominação, de censura e de cerceamento de liberdades, construíram o esquecimento que se consolidou com o encaminhamento institucional da violência em diferentes países, de forma análoga. Se esse esquecimento se expressou na forma da impunidade, a corrupção, a banalização da violência e o imobilismo foram efeitos dessa tentativa de impor uma “amnésia coletiva” sobre a sociedade civil e se projetaram como parte dos desdobramentos não-resolvidos que conectam a conjuntura atual dos países da região, em processo de consolidação da democracia. Os períodos pós-ditatoriais na América Latina ainda enfrentam as conseqüências desse silênciamento e da implantação do medo, em todas as áreas da sociedade desacreditada. Os processos de transição política e redemocratização se mostraram frágeis e o silêncio institucional e a impunidade se fizeram presentes a partir do controle da imprensa e da luta para conseguir acessar os arquivos oficiais em sua integridade, dessa forma reduzindo a possibilidade de conhecer aquele passado traumático. Podemos, portanto, chamar de “silêncios cúmplices” os processos resultantes das proibições oficiais após períodos ditatoriais, que se revelaram nas transições de processos de democratização.

Os fatores que levaram ao apagamento de uma parte da história são múltiplos e se ancoram em uma cultura e em uma educação falhas, tendenciosas, no sentido de elucidar os fatos e contar versões outras, sobretudo, a dos chamados vencidos, que tiveram suas histórias interrompidas numa escala de violência de crimes cometidos pelo Estado, impunemente. E que resultou em profundos traumas e cicatrizes: torturas e assassinatos pessoas, exílios, destruição de famílias; de estruturas físicas e emocionais.  Seja pela longa duração da cultura do medo, seja pelo que chamaremos de uma tradição do esquecimento, da ausência de memórias, considerando-se que a amnésia política é retroalimentada por uma estrutura para o tratamento dessas memórias e, consequentemente, pela educação, como também nas esferas institucionais.

No caso das ditaduras latino-americanas recentes, entretanto, a questão do esquecimento relaciona-se a uma ação institucional de esquecimento induzido, “de cima para baixo”, desmemoria. Esta desmemoria, tem sido um dos aspectos centrais na complexa relação lembrar-esquecer, ao mesmo tempo que, tem explicitado o desconhecimento de parte desse passado diante da impossibilidade concreta de conhecer e acessar certos fatos que deveriam permitir a elaboração e a seleção de lembranças. Sem dúvida, a desmemória tem sido sinônimo de silêncio ou de apagamento da memória; mas, simultaneamente, também tem sido o silêncio e o apagamento de parte da própria história. Por isso, a análise da temática da memória permite reconhecer a existência do esquecimento, dos silêncios e dos não-ditos. O esquecimento pode resultar de uma opção individual ou coletiva de restringir certas lembranças ao essencial. Mas pode também servir para uma ação qualitativamente diferente, a de ocultar. Diante disso, é sempre útil a fórmula que propõe Peter Burke: “quem quer que quem esqueça o quê e por quê ?”.

Essa comunicação parte de um olhar para as conseqüências de processos de esquecimento e suas continuidades nos processos de redemocratização.

 

A integração regional sob a luz da esquerda: uma realidade política latino-americana

Bruno Massola Moda (PROLAM/USP)

A projeção da América Latina como uma região relevante no sistema internacional tornou-se uma realidade conquistada nos primeiros quinze anos deste século. Partindo do isolacionismo durante o período colonial, passando por incipientes exercícios de política externa autônoma durante o século XIX, pelo alinhamento à zona de influência euroamericana, pela tutelagem política, durante as ditaduras militares no subcontinente, e econômica, com a imposição do consenso neoliberal, e, finalmente, alçando na primeira década do presente século um novo modelo de inserção internacional através de processos de integração. Este posicionamento orientado à autonomia regional se consolidou pela combinação de dois fatores: crescimento econômico dos países latino-americanos e a intensificação do cooperativismo regional seja no campo político e econômico.

O paradigma neoliberal, sistematicamente introduzido na América Latina nas décadas de 80 e 90 provocou alterações no rumo político e econômico do subcontinente. Pela via econômica, houve um continuo processo de reestruturação de forma a alinhar as políticas econômicas nacionais aos preceitos contidos no Consenso de Washington. Pela via política destacaram-se os campos interno − cujas principais características foram: aproximação com grupos de direita, a implantação da ideologia do privado em oposição ao público e o fortalecimento de práticas capitalistas excludentes − e o externo − que buscou orientar as relações internacionais a fim de fortalecer as parcerias com atores desenvolvidos, em destaque Estados Unidos e países europeus.

A exaustão do neoliberalismo foi estruturada através do desalinhamento político latino-americano aos tradicionais grupos de poder historicamente alocados no bojo político-ideológico da direita para o campo progressista da esquerda. A díade direita e esquerda voltava à arena política uma década após a queda do Muro de Berlim e, por consequência, a assunção do colapso do socialismo como modelo político-econômico. Desta forma, emergia uma nova ordem política orientada ao progresso regional, influenciadas não apenas, mas em grande parte, pelo solidarismo e cooperativismo, estabeleceu-se um diálogo político na região resultando em processos de integração. Assim, esta comunicação se debruça sobre os desdobramentos desta nova realidade político-econômica para as relações internacionais da região, a fim de constatar a influência da esquerda latino-americana, representada pelos governos eleitos no período de 2000 a 2014, no desenvolvimento de arranjos regionais, identificar tais arranjos e identificar os principais atores que estiveram à frente dos processos.

Dentre os países que mais se destacaram no desenvolvimento de tais arranjos estão o Brasil e a Venezuela que nos anos 2000 vivenciaram uma realidade político-ideológica orientada por um modelo de governança de esquerda. Em ambos os países se observou um movimento similar de fortalecimento da figura presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil e Hugo Chávez na Venezuela, o que desencadeou em um fenômeno político ligado a figuras de ambos: o Lulismo e o Chavismo respectivamente. Tais fenômenos alinhados às agendas de política externa mais autonomistas em ambos os países, proporcionaram a formação dos dois arranjos regionais de origem política: a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA) e a União das Nações Sul Americanas (UNASUL).

Segue abaixo o cartaz:

 

cartaz XXXIII EPAL

 

XXXII Encontro de Pesquisadores sobre a

América Latina (EPAL)

 

Caros (as) colegas latino-americanistas,

É com grande alegria que anunciamos nosso próximo encontro ano, que ocorrerá no dia 12 de abril, quinta-feira, entre às 14 e 17:30 horas, na sala 201 do prédio principal da Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP), no campus Cidade Universitária da Universidade de São Paulo.

Na ocasião contaremos com a seguinte programação:

Brasil y El Salvador. Histórias que se entrelazan. Conmemoraciones que nos unen

Claudia Romero Duarte (IEB/USP)

¿Que tienen el Brasil y El Salvador en común?. Probablemente la respuesta más usual a esta pregunta es nada. Y es que, con sus 8,51 millones de kilometros cuadrados y más de 200 millones de habitantes, Brasil es el gigante de América del Sur; mientras que El Salvador, con apenas 21,000 kilometros cuadrados y 6 millones de habitantes, es el pulgarcito de América. En uno se habla portugués, mientras que en el outro se habla español. Uno tiene relaciones muy desarrolladas con sus países vecinos del sur del continente, mientras que el otro com sus países vecinos del norte. A primera vista, ciertamente estos países no parecen tener nada en común.

Ahora bien, si dejamos a un lado las características físicas, y nos centramos o bien en la historia reciente de ambos países, o bien en los retos que éstos han enfrentado, es casi seguro que encontraremos más elementos comunes de los que imaginabamos. Desigualdad, racismo, exclusión, desempleo, violencia o corrupción son problemas que historicamente han afrontado y continúan afrontando tanto brasileños como salvadoreños. La escala puede ser diferente pero nuestros problemas al fin y al cabo no son tan diferentes. La propuesta de esta presentación es justamente mostrar que a pesar de las diferencias, compartimos una historia y desafíos comunes.

La presentación será dividida en tres partes: una primera parte estará dedicada a exponer algunos acontecimientos relevantes de la historia reciente de El Salvador: la matanza de 1932, la dictadura, el surgimiento de los movimientos populares, el asesinato de monseñor Romero, la guerra civil, el asesinato de los jesuitas, el ascenso de la izquierda al poder, entre outros. La segunda parte, se dedicará a describir las relaciones de cooperación entre el Brasil y El Salvador, con un énfasis en los últimos 20 años. Y una tercera parte estará dedicada a presentar dos manifestaciones populares en las que se conmemoran tanto a mártires de el Brasil como de El Salvador. Asi pues, por un lado, se presentará la Romaria dos mártires da Caminhada, evento celebrado cada 5 años en la Prelazia de São Felix de Araguaia, Mato Grosso; y por otro, la Conmemoración de los Mártires de la UCA, evento que se realiza todos los años en la Universidad Centroamericana José Simeón Cañas, de San Salvador.

El objetivo de esta presentación es, por un lado, que los asistentes amplien sus conocimientos respecto de El Salvador, y por otro, que los participantes encuentren elementos de utilidad para las investigaciones que están realizando. Durante el evento se entregará material adicional de lectura y se degustará una bebida y un postre salvadoreño.

 

Haiti: espaço estratégico na América Latina

Dayqueline Cortez Gomes Martins (UNILA)

O Haiti vem de uma história de vitórias, primeiro país da América Latina a conquistar sua independência e o primeiro país do mundo a libertar todos seus escravos. Como represália, sofre uma longa sanção econômica das grandes potencias da época, suspensa só depois do Haiti aceitar pagar uma altíssima soma para a França como uma indenização por ter conquistado a independência. Esse não foi o único preço que o Haiti teve que pagar por sua valentia. As consequências seguiram mesmo um século depois com a invasão norte americana (1915-1934). Uma invasão militarizada em que foram tomadas todas as instituições haitianas, inclusive o banco central. Mesmo depois de deixar o Haiti os Estados Unidos apoiaram ditaduras – a última durou quase trinta anos, o que aprofundou mais ainda a crise economia haitiana fazendo do Haiti um dos países mais empobrecido do mundo. Fato é, que as sucessivas ditaduras e intervenções militares deixaram o país sem autonomia em aspectos mais elementares de seu desenvolvimento econômico e político, impossibilitando a gestão de seus problemas sociais herdados desde da “dívida” da independência. Malgrado, a invasão estadunidense de 1915 teve, entre outras, a alegação de que a instabilidade política e econômica do Haiti era decorrência de ser um país governado por negros. O imperialismo tem várias faces: o racismo é uma delas. Outro fator que torna o Haiti alvo dos Estados Unidos é sua geografia privilegiada aos olhos estadunidenses. A proximidade geográfica com o Canal do Panamá, Cuba e Venezuela, além de ser a entra para toda a América Latina. Ou seja, um ponto estratégico. Por isso, em pleno século XXI tenta-se, ainda, manter a concepção de que: culturalmente o Haiti é um país violento e incapaz de governança e representa uma ameaça à segurança da região. Essa concepção foi difundida para convencer a comunidade internacional de que não há outra saída a não ser por meio de uma Missão de paz para restabelecimento da ordem na sociedade haitiana. Durante a década de 1990 foram quatro missões. Destarte, foi instaurada, em 2004, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti – MINUSTAH, encerrada em 2017. Cabe ressaltar, que essa missão esteve submetida ao Capitulo VII (imposição da paz) da Carta das Nações Unidas onde há permissão do uso da força nas suas ações para o cumprimento de seus objetivos, ou seja: uso de aparato militar para promover a paz. Isso ocorreu durante os treze anos da missão. Essa contradição é um dos fatores que permite sustentar a hipótese de que a MINUSTAH foi a maneira com que os Estados Unidos encontraram, por meio da ONU, para se apoiar e manter o status quo do Haiti e, assim, conservar seu plano geoestratégico e de manipulação política em territórios alheios com vistas a expansão econômica. Partindo dessas considerações a explanação desse trabalho terá como objetivo avaliar a hipótese de que a MINUSTAH confirma-se como mais uma intervenção militar revestida de Missão humanitária. A metodologia dedutiva amparada em bibliografias orienta esse trabalho.

 

Entre la plata y el plomo: uma análise do livro-reportagem como instrumento da narcoliteratura

Mateus Fernandes de Lima (PROLAM/USP)

Com a chegada dos anos 1970 e o crescimento da exposição midiática do narcotráfico, a cobertura do tema tem pautado os principais veículos de comunicação da América Latina. Essa cobertura, em especial a realizada pela mídia hegemônica, caracterizou-se pela superficialidade de suas narrativas cujo processo, quase industrial, impossibilita a profundidade de análise e, em alguns casos, flerta com o sensacionalismo. Em contrapartida, determinados jornalistas foram bem-sucedidos ao aproximar o narcotráfico e o jornalismo literário, rompendo com essa barreira limitante, principalmente, a partir da produção de livros-reportagem. Paralelamente à produção jornalística, o tema e sua penetração no cotidiano influenciou a cultura do continente (originando termos como narcoliteratura, narconarrativa e narcocultura), bem como o contexto do tráfico de drogas proporcionou um crescimento da produção editorial de obras de não ficção, a partir dos anos 80, atingindo o ápice nos anos 90 e 2000. Desta forma, este projeto, apoiado no referencial teórico da análise crítica da narrativa, proposta por Luiz Gonzaga Motta (UNB, 2013), pretende analisar a contribuição do livro-reportagem em relação à produção cultural da narcoliteratura, a partir do estudo de duas obras: Abusado: o dono do morro Dona Marta (Record, 2003), do jornalista brasileiro Caco Barcellos e El Cartél de Sinaloa (Randon House, 2009), escrita pelo repórter mexicanos Diego Enrique Osorno.

 

Efeitos da geopolítica britânica no arquipélago Falkland/Malvinas e sua repercussão na expressão de defesa e segurança no Atlântico Sul

Rogério do Nascimento Carvalho (EGN)

Este trabalho consiste em destacar a crescente relevância da região do Atlântico Sul no contexto geopolítico global. Dentro da área do Atlântico Sul, este estudo preconiza a região do arquipélago Falkland/Malvinas, onde persiste a disputa de soberania que remonta ao ano de 1833 e que foi impulsionado pela Guerra das Malvinas (1982), devido sobretudo pela perspectiva de recursos econômicos na região, o que leva a investimentos dos governos argentino e britânico no campo da defesa e segurança. O objetivo principal deste trabalho é o demonstrar a importância geoestratégica do arquipélago com o incremento de pesquisas e investimentos doravante a descoberta das reservas petrolíferas e de gás. Entretanto, o arquipélago proporciona projeção de poder sobre terra no continente antártico, que momentaneamente encontram-se sob os ditames do Tratado Antártico, ainda em vigor, o que temporariamente freia as pretensões dos países pela posse de terras do continente gelado. A importância do arquipélago garante liberdade em linhas de comunicação a Royal Navy, tendo em vista que a região é um ponto estratégico entre o Oceano Atlântico e Oceano Pacífico. Hodiernamente, verifica-se um incremento de investimentos militares na região, calcados nos sucessivos documentos de defesa britânico que buscam assegurar para si o domínio do arquipélago Falkland/Malvinas, porém há de se considerar o avanço do pleito argentino principalmente na decisão da Comissão de Limites da Plataforma Continental da Organização das Nações Unidas (CLPCONU), que ratifica o anseio de ampliação do mar argentino, bem como a decisão interna britânica de retirada da União Europeia, que gera um processo de desencadeamento de atores que lhe davam apoio e que podem também questionar possessões coloniais, como a Espanha no caso de Gibraltar. Há de ressaltar o posicionamento brasileiro na seguinte questão que, apesar de entender ser legítimo o direito argentino de reivindicar a posse do arquipélago, e de se manter praticamente neutro durante o período do conflito de 1982, possuir laços de proximidade com Londres, com destaque em seus documentos de defesa, bem como ações conjuntas em áreas de conhecimento, o que lhe garante um discurso menos agressivo na presente contenda. Neste sentido, o trabalho aqui exposto permite a refletir acerca do papel de atores estrangeiros na região que pugnam pela militarização e exploração de riquezas e de como estes podem dificultar a harmonia de convivência na América Latina e, ao Brasil, a necessidade de investimentos perenes em defesa e segurança, com intuito de defender o território da cobiça externa.

Segue o cartaz:

 

cartaz XXXII EPAL_opção 3

 

Contamos com a presença de todos (as),

 

Serão fornecidos certificados de participação

 

Realização: PROLAM/USP

Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo

Organização e Coordenação

Alessandra Cavalcante de Oliveira  (PROLAM/USP)

André Luiz Lanza (História Econômica/USP)

Débora Armelin Ferreira (PROLAM/USP)

Margarida Nepomuceno (CESA/PROLAM/USP)

Mayra Coan Lago (História Social/USP)

Paulo Sergio de Castro (PROLAM/USP)

Rita de Cássia Marques Lima de Castro (CORS e NESPI/USP; UMC – Campus Villa-Lobos)

Sabrina Rodrigues (PROLAM/USP)

Thaís de Oliveira (PROLAM/USP)

Apoio: ECA/USP

Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo

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