EPAL 2015

Até o momento contamos com cinco edições:

 

XIII ENCONTRO DE PESQUISADORES SOBRE A AMÉRICA LATINA

 O décimo terceiro Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina foi no dia 13 de abril de 2015, às 14:30 horas, na Sala de Defesa da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Na ocasião contamos com a presença da Profa. Dra. Yanet Viruez Franklin de Matos e os seguintes pesquisadores:

A madona e o cavaleiro

Yanet Aguilera Viruez Franklin de Matos (História da Arte/Universidade Federal de São Paulo)

Resumo: Muitas vezes se reduziu parte do cinema latino-americano a seu aspecto político mais evidente: denuncia do subdesenvolvimento congénito que parece assolar nossos países. Esta perspectiva permitia à crítica julgar um papel duplo. Primeiro, o da instancia rebaixada, dado que pertencia a esse mundo “atrasado”, de modo que passava a copiar categorias e classificações emprestadas de centros de pensamentos mais prestigiados sem questioná-los sobre sua possível adequação ao assunto tratado. Segundo, por meio da interpretação da narrativa fílmica, cumpria o papel de instancia esclarecedora (no sentido iluminista do termo), pretendendo resgatar a parcela da realidade representada pelo filme, ao elucidar criticamente o estado deplorável em que esta se encontrava. Este duplo aspecto da crítica será trabalhado na análise de Vidas Secas, romance de Graciliano Ramos adaptado por Nelson Pereira do Santos. Por meio da estética e iconografia pretendemos interrogar seu contexto crítico que reduziu, tanto o livro como o filme, a um produto naturalista, que denuncia a desumanização da população rural do Nordeste Brasileiro pela miséria extrema. Nos perguntamos: em que medida esta crítica, que se tornou canônica no Brasil (faz parte do ensino que serve para as provas do vestibular e do Enem), que assume pressupostos do século XIX positivista, não é uma simplificação da maneira como o romance e o filme tratam desse contexto histórico e social, que não exatamente o da crítica. Velhas dicotomias hierarquizadas estão aqui em jogo, como por exemplo, urbano e o rural – são introduzidas sem nenhum questionamento.

Filmar a revolução no exílio. Uma análise de “Alsino y el cóndor” (1982), de Miguel Littín.

Alexsandro Soares de Sousa e Silva (História Social/Universidade de São Paulo)

Resumo: A apresentação tem como objetivo analisar o filme “Alsino y el cóndor” (1982), do cineasta chileno Miguel Littín, engajado politicamente contra a ditadura de Augusto Pinochet. A película foi realizada na Nicarágua com aportes nicaraguenses, cubanos e mexicanos. No enredo, o menino Alsino alimenta o sonho de poder voar como um pássaro, enquanto presencia a luta entre guerrilheiros e militares instruídos por estadunidenses. Fora das câmeras, a presença do cineasta no país é marcada por um claro interesse em seguir a recente vitória da Revolução Sandinista (1979), apoiada por exilados chilenos treinados militarmente em Cuba. Temos como objetivo discutir a confluência entre revolução, exílio e cinema, e pensar as relações entre Cultura e Política na pesquisa histórica.

Etnografia audiovisual da Oficina Popular de Audiovisual Latino-americano.

Cristina de Branco (Antropologia Visual/ Universidade Nova de Lisboa)

Resumo: Pretende apresentar neste Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina meu projeto de tese de mestrado em Antropologia Visual, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, orientado pela Professora Catarina Alves Costa, a ser defendido em maio de 2015. A minha investigação propõe uma percepção etnográfica sobre a Oficina Popular de Audiovisual Latino-americano, projeto de aproximação teórico-técnico-prática audiovisual a jovens imigrantes latino-americanos residentes na cidade de São Paulo, através do seu acompanhamento e da filmagem partilhada das suas sessões, ocorridas durante os meses de junho, julho, agosto e setembro de 2014, realizadas no espaço do Cineclube latino-americano, sediado no Memorial da América Latina. Parte-se das premissas que a latinoamericanidade é um imaginário identitário integracionista continuamente inventado e reinventado por vários agentes, ressignificado ininterruptamente por outros imaginários transregionais e locais, e de que entre as muitas vias da sua contínua reinvenção o audiovisual se dá como expressão estética mediadora de impressões locais e transregionais e como potencializador da reflexão coletiva sobre a existência social de cada um e aquela partilhada. Pretendo, então, compartir esse relato, formalizado em relatório e num ensaio audiovisual etnográfico, a intersecção de imaginários identitários migrantes e latino-americanos mediados pelo audiovisual, a envolvência dos jovens com os temários da deslocação e da latinoamericanidade através da Oficina, da recepção de filmes latino-americanos contemporâneos e da criação audiovisual coletiva.

 Seguem o cartaz e algumas imagens do dia:

XIII EPAL

 

20150413_144516[1] Imagem 1: A pesquisadora Cristina de Branco no décimo terceiro Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina.

20150413_151831[1]Imagem 2: Profa. Dra. Yanet Aguilera Viruez Franklin de Matos no décimo terceiro Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina.

20150413_165042[1]Imagem 3: O pesquisador Alexsandro Soares de Sousa e Silva no décimo terceiro Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina.

XIV ENCONTRO DE PESQUISADORES SOBRE A AMÉRICA LATINA

 O décimo quinto Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina ocorreu no dia 19 de maio, às 14 horas, na Sala de Defesa da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Na ocasião contamos com a presença do Prof. Dr. José Briceño Ruiz e os seguintes pesquisadores:

Pensamiento, teorías y modelos de integración en América Latina

José Briceño Ruiz


Venezuela: visiones sobre la integración de América Latina

Ana Sofia Garcia Salas

Resumo: Nos formulamos como objetivo general, analizar la visión y las acciones de la política externa de Venezuela durante el gobierno de Hugo Chávez y el alcance que éstas han tenido en la América Latina y el Caribe. Partimos de la hipótesis, de que la política externa de Venezuela es una proyección de su política interna. Compararemos para lograr nuestros objetivos, dos periodos claramente diferenciables. El primero reúne a los gobiernos que comandaron el país en sus primeros 40 años de democracia conocido como la era del “pacto de punto fijo”, y el segundo; el liderado por Hugo Chávez, y después de su muerte por su sucesor, Nicolás Maduro.


Justiça de Transição: Os Impactos da Comissão da Verdade Sobre os Direitos Humanos no Brasil e Argentina

Tharsila Helena Paladini Augusto (UNISA)

Resumo: Um dos objetivos das Comissões denominadas da verdade é que após as descobertas da realidade ocorrida durante o regime ditatorial é que essa verdade seja divulgada e entregue as autoridades competentes para que se aplique o direito. No caso o ramo do direito que mais sofreu violações nesses períodos de ditaduras, sabidamente, foi o Direito Humano, este que ainda esta em formação, quase como que uma ética mundial de respeito a vida e a dignidade da pessoa humana. Ao se revelar a verdade o dever de qualquer Estado de Direito é aplicar a lei, em sentido lato, seja a Constituição, a leis ordinárias, ou os tratados internacionais aderidos por aquele sistema jurídico. A Argentina se mostra como um país que mais deu, e ainda dá efetividade as suas leis, princípios e tratados sobre Direitos Humanos na América Latina, pois puniu mais de 200 (duzentos) militares por cometerem crimes contra a humanidade no período ditatorial, estes por sua vez, foram revelados pelas Comissões que buscavam, instituídas logo após ao fim da ditadura em 1983. Já o Brasil a Comissão da Verdade apenas foi instituída no ano de 2011, ou seja, quase 30 (trinta) anos após acabar o período da ditadura no Brasil, e seu relatório final, divulgado no fim do ano de 2014, até a presente data gerou pouquíssimos avanços, pois os agentes estatais que violaram os direitos humanos sequer foram indiciados como deveriam, sob o manto de um julgamento do Supremo Tribunal Federal referente a Lei de Anistia, onde reconheceram a validade de uma lei de mandamentos destoante das normas constitucionais e tratados internacionais sobre direito humanos em que o Brasil é signatário. Nada se avança em termos de efetividade de direitos quando, uma vez conhecida a realidade, a verdade e ela não provoca a aplicação das normas pertinentes para tanto. Isso ocasiona a sensação de impunidade e afastamento do direito como mecanismo de controle das crises sociais, e em casos agudos como o que vivemos no Brasil, a própria existência do Estado como instituição se enfraquece.

 Seguem o cartaz e as imagens do dia:

xiv epal

 

20150519_153258[1]Imagem 4: Prof. Dr. José Briceño Ruiz no décimo quarto Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina.

20150519_163558[1]Imagem 5: A pesquisadora Tharsila Helena Paladini Augusto no décimo quarto Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina.

20150519_161441[1]Imagem 6: A pesquisadora Ana Sofia Salas no décimo quarto Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina.

20150519_153255[1]Imagem 7: Pesquisadores no décimo quarto Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina.

 

XV ENCONTRO DE PESQUISADORES SOBRE A AMÉRICA LATINA

A comemoração de dois anos do Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina ocorreu no dia 11 de junho, às 14 horas, na Sala de Defesa da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Na ocasião contamos com a presença dos seguintes pesquisadores:

 

El cambio en la estrategia de la política social de combate a la pobreza en México

María del Carmen Hernandéz Eguiarte (Instituto Politécnico Nacional/México)

Resumen: Desde la década de los noventa, los Programas de Transferencias Monetarias Condicionadas (PTC) son el instrumento más importante para la lucha contra la pobreza en México. Su objetivo, a corto plazo, es la disminución de las cifras a través de un nivel de ingreso sujeto a un conjunto de corresponsabilidades en términos de nutrición, salud y educación. Con el cumplimiento de estos requisitos se pretende alcanzar el objetivo establecido a largo plazo referente a la acumulación de capital humano. Hasta el año 2013, el programa más importante de esta naturaleza en el país era Oportunidades.
Una de las críticas más importantes al programa es su incapacidad de ofrecer un vínculo con el mercado de trabajo que ofrezca empleos para la superación de la pobreza de las familias beneficiarias. El estudio de la pobreza y la necesidad de un cambio de estrategia en la política social consideró el uso de microdatos de la Encuesta Nacional de Ingresos y Gastos de los Hogares (ENIGH) con el desarrollo de los siguientes aspectos:
• Un modelo probit que tuvo como objetivo verificar si el programa Oportunidades reduce la probabilidad de ser pobre en México. Lo anterior se logró con un conjunto de variables para contribuir en la explicación del fenómeno. El principal hallazgo fue que, al contrario de lo esperado, el programa aumenta la probabilidad de ser pobre.
• El cálculo del índice de concentración y curva de Pseudo-Lorenz por concepto de las transferencias del programa mostró la ineficiente focalización de los recursos. Esto contribuyó a que Oportunidades no lograra disminuir la pobreza de manera constante.
• Con la definición de las fuentes de ingreso de los pobres agrupados en quintiles en función de su ingreso familiar per cápita mensual, se encontró una relación directa entre la intensidad de la pobreza y la dependencia del ingreso hacia las transferencias sociales e inversa con respecto a los recursos generados por el trabajo.
• La caracterización del mercado de trabajo de los pobres y de los beneficiarios del programa muestra que existen niveles considerablemente altos de desocupación y una escasa seguridad laboral que conduce a una trampa de pobreza difícil de superar.

 

Sofrimento e tortura: Brasil (1964-1985) e Argentina (1976-1983)

Myrna Coelho (Doutora/PROLAM-USP)

Resumo: O presente trabalho propõe-se a analisar a experiência de presos políticos torturados pelas ditaduras do Brasil (1964 – 1979) e da Argentina (1976 – 1983) a partir da fenomenologia-existencial. Após conceituar a “tortura” e inscrevê-la historicamente, esta pesquisa utiliza-se da análise de literatura de testemunho, de entrevistas e de depoimentos, problematizando ao final o conceito de “tortura psicológica”.

 

Partidos Políticos e Integração da América Latina: Um Estudo Sobre o Foro de São Paulo

Ricardo Abreu de Melo (Mestrando/Prolam/Usp)

Resumo: O projeto de pesquisa objetiva fazer uma análise do papel efetivo dos partidos políticos latino-americanos e caribenhos e de sua contribuição ideológica e programática para o atual processo de integração regional, levando em conta os aspectos político, econômico, social e cultural. Para tal, estudará o caso do Foro de São Paulo, espaço de debate e de coordenação de partidos de esquerda da América Latina e Caribe, e fará uma análise histórica e comparativa das proposições do Foro de São Paulo com os documentos e resoluções dos organismos de integração criados ou reformulados a partir do novo ciclo político regional – Mercosul, Unasul, Alba-TCP e Celac, – impulsionado pelas vitórias eleitorais de partidos do Foro de São Paulo, que levaram a uma situação inédita de governos “de esquerda e progressistas”, de cooperação e promoção de uma integração continental “latino-americanista”.

 Seguem o cartaz e as imagens do dia:

XV EPAL

 

20150611_144304

Imagem 8: Pesquisadora María Del Carmen Hernández Eguiarte e demais pesquisadores no XV Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina.

20150611_150637

Imagem 9: Pesquisador Ricardo Abreu de Melo e demais pesquisadores no XV Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina.

20150611_152138

Imagem 10: Pesquisadores Ricardo Abreu de Melo e María del Carmen Hernández Eguiarte.

20150611_162157Imagem 11: Pesquisadora Myrna Coelho no XV Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina.

 

XVI ENCONTRO DE PESQUISADORES SOBRE A AMÉRICA LATINA

O XVI Epal ocorreu no dia 18 de agosto,entre às 14:00 e 17:00 horas, na Sala de Defesa (237),CCA, 2º andar do prédio principal da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Na ocasião contamos com os seguintes pesquisadores:

 

MARX AO SUL DEL RIO BRAVO: MARXISMO E PENSAMENTO SOCIAL NO BRASIL

Aílton Teodoro (Mestrando/ Sociais-USP)

Resumo: Demonizado, vilipendiado, finalmente exorcizado. Esta foi a trajetória do marxismo nos meios acadêmicos brasileiros e latino-americanos nos últimos 30 anos, após um longo período de florescimento teórico e cultural, cuja gênese podemos localizar em meados dos anos 1920, a partir do impacto provocado pela Revolução Russa na região. O meio século que separa este momento, de gênese, da crise dos anos 80, assistirá um profundo enraizamento das ideias de Marx, Engels e seus continuadores nas formas de pensar a identidade nacional, a história e as formações sociais no continente, conformando o que ficou conhecido na literatura por Pensamento Crítico Latino-Americano. Nosso esforço foi tentar apreender as propriedades imanentes deste pensamento no caso brasileiro, particularmente como ele aparece entre os mais destacados militantes, teóricos e publicistas da Seção Brasileira da Internacional Comunista, mais tarde, Partido Comunista Brasileiro (PCB), bem como suas metamorfoses no decorrer dos anos 1950, em uma espécie de “debate entre surdos” com o marxismo de extração universitária.

TV PÚBLICA: A DESCONSTRUÇÃO CONTINUADA

Liana Milanez (Doutoranda /PROLAM-USP)

Resumo: Um dos objetivos do trabalho que apresentarei no EPAL é examinar, sob uma perspectiva histórica, os processos de mudanças e as consequentes descontinuidades que viveram as emissoras públicas brasileiras, provocadas pelas substituições de gestores, estreitamente vinculadas às trocas de governo. Essas emissoras, hoje consideradas públicas, que no passado foram nomeadas como televisões educativas ainda não alcançaram o ideal, embora se perceba um esforço em busca de uma emissora independente e autônoma em relação ao que preconizam estudiosos de vários Continentes.
Parto de observações colhidas no exercício profissional aliadas à bibliografia que me acompanha desde o Mestrado quando me dediquei ao tema que resultou na dissertação Produção de sentidos na TV Pública: perfil de uma experiência, defendida em 2005 pela ECA/USP.
Pretendo também discutir aspectos da gestão e governança das emissoras públicas, pelo viés das indicações de seus gestores e do ponto de vista de suas histórias, sem a pretensão de exauri-lo. É um tema que vem merecendo a atenção de estudiosos da TV pública. Exemplos não faltam.
As emissoras hoje tratadas como “públicas” no Brasil – padecem de um mal que persiste desde seus primórdios: o da descontinuidade. São as trocas de gestores, de políticas de programação e de formas de gestão. São sucessivamente novos dirigentes que chegam com sua equipe para ocupar os assim chamados “cargos de confiança”, um eufemismo para cargos de governo. Implantam, cada um desses grupos, uma espécie de “estilo” ou de “visão” de programação, muito mais atentos à gestão e ao serviço governamental do que à preocupação social como instituições públicas.

PENSAR O DIREITO ALÉM DAS FRONTEIRAS: INTERCÂMBIOS E DIÁLOGOS ENTRE JURISTAS BRASILEIROS E ARGENTINOS (1917-1943)

Mariana Silveira (Doutoranda /Historia Social-USP)

Resumo: Ao longo das primeiras décadas do século XX, multiplicaram-se as iniciativas de aproximação e de intercâmbio intelectual entre juristas das Américas. Brasil e Argentina estiveram particularmente envolvidos nesses esforços. Este projeto busca mapear e compreender os diálogos travados entre juristas desses dois países nos anos de 1917 a 1943, tendo como pano de fundo uma busca comum por fazer do direito um instrumento de reforma social e de progresso nacional. Partimos de duas hipóteses. Primeiramente, acreditamos que o fortalecimento dos diálogos e dos esforços de aproximação entre juristas brasileiros e argentinos estaria ligado aos debates sobre a nacionalidade em curso em ambos os países, que se associavam a um clima de insatisfação com as ideias vindas da Europa e dos Estados Unidos, cada vez mais tidas como “inadequadas” à “realidade” desses locais. Os esforços de aproximação entre juristas brasileiros e argentinos teriam sido pensados, também, como meios voltados à consecução de certo protagonismo desses homens no espaço público, na medida em que a chancela dos colegas estrangeiros poderia, dentro de cada território nacional, auxiliar na legitimação dos bacharéis em direito como interlocutores privilegiados na formulação de políticas e, em especial, na escrita de novas leis. Trabalhamos sob uma perspectiva metodológica que toma como complementares a história transnacional e a história comparada. Pretendemos, além disso, analisar os projetos partilhados por tais juristas a partir de uma aproximação entre a história intelectual e a história política. O interesse pelo estudo aqui proposto se reforça pelo papel político que os juristas historicamente desempenharam tanto no Brasil quanto na Argentina, bem como pela pouca atenção que os debates teóricos do direito têm recebido dos historiadores.

 

INTERPRETAÇÕES DA REVOLUÇÃO MEXICANA: AS LEITURAS DE JOSÉ CARLOS MARIÁTEGUI, TRISTÁN MAROF E OSCAR TENÓRIO

Ricardo Streich (Historia Social-USP)

Resumo: O presente trabalho tem por objetivo comparar as interpretações da Revolução Mexicana realizadas por três representantes dos ideais anti-imperialistas na América Latina da década de 1920: o peruano José Carlos Mariátegui, o boliviano Tristán Marof e o brasileiro Oscar Tenório. A partir de seus textos sobre o México, analisamos como estes intelectuais refletiram sobre os significados políticos da Revolução Mexicana no âmbito de seus países e também como a experiência mexicana possibilitou que os autores pensassem (e repensassem) seus projetos políticos, tanto na perspectiva nacional quanto na continental. Também abordamos a circulação de ideias políticas na América Latina, demostrando a singular importância deste evento para a geração de intelectuais do período em pauta.

 Seguem o cartaz e as imagens do dia:

epal XVI

 

20150818_143153Imagem 12: Pesquisadora Mariana Silveira apresentando no XVI Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina.

20150818_153254Imagem 13: Pesquisadores Mariana Silveira e Liana Milanez no debate do XVI Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina.

20150818_153301Imagem 14: Pesquisadores no XVI EPAL.

20150818_164128

Imagem 15: Pesquisador Ailton Teodoro no XVI EPAL.

20150818_165609Imagem 16: Pesquisadores Ailton Teodoro e Ricardo Neves Streich no XVI EPAL.

 

XVII ENCONTRO DE PESQUISADORES SOBRE A AMÉRICA LATINA

O XVII Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina, ocorreu no dia 8 de setembro,às 14:00 horas, na Sala de Defesa (237),CCA, 2º andar do prédio principal da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Endereço: Avenida Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443. Cidade Universitária, Butantã, São Paulo.

Neste dia contamos com os seguintes pesquisadores e temáticas:

As identidades latino-americanas

Edson Capoano (PROLAM/USP)

Resumo: O trabalho estuda identidades de jornalistas latino-americanos, em diálogo por redes sociais. O objetivo foi compreender como redes presenciais contribuem para o diálogo cultural e a atualização de identidades individualizadas. As redes parecem fomentar trocas de experiências, estimulando identidades ampliadas e glocalizadas. Parte da pesquisa foi realizada no Brasil, no Peru, na Guatemala e no México. Já a pesquisa qualitativa, realizada através de entrevista com jornalistas do Programa Balboa, rede para Jornalistas Ibero-Americanos.


MERCOSUL, Direitos Humanos e o “Mercado” de Trabalho:
o Presente e o Futuro

Juliane Caravieri Martins Gamba (PROLAM/USP)

Resumo:Nos primórdios da civilização, o trabalho era a atividade ligada à pesca, à caça, à coleta de frutos e à plantação de alimentos destinados ao sustento do homem na vida em comunidade. A partir do desenvolvimento do capitalismo industrial, houve a divisão social e técnica do trabalho que transformou este ato, inicialmente tão natural, numa engrenagem do processo de produção e o ser humano passou a ser um apêndice das máquinas sujeito a precárias condições de trabalho. Tal sociedade de consumo conferiu aos trabalhadores o mesmo valor que se atribui às máquinas e aos instrumentos de produção, esvaziando sua dignidade humana. Nesse contexto, a pesquisa analisou se o trabalho digno, enquanto direito humano, está sendo implementado no Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), enquanto processo de integração regional que envolve países possuidores de realidades socioeconômicas diferenciadas, destacando-se, no estudo, o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai. O trabalho humano possui características peculiares, devendo ser considerado com critérios que extrapolam os aspectos puramente econômicos. Então, o trabalho humano não pode ser tratado na condição de mercadoria ou insumo de produção como o capitalismo impõe, pois ele se apresenta como um valor necessário para a existência digna do trabalhador. Não basta a concessão de um trabalho ao ser humano, é imprescindível a garantia e a concretização do trabalho digno que respeita a pessoa humana em sua integralidade físico-psíquica como ser único e insubstituível.

Seguem abaixo o cartaz e algumas fotos do evento:

epal XVII

20150908_143801Imagem 17: Pesquisador Edson Capoano apresentando no XVII Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina.

20150908_153214Imagem 18: Pesquisadora Juliane Caravieri no XVII Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina.

20150908_161202Imagem 19: Pesquisadores no XVII Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina.

XVIII ENCONTRO DE PESQUISADORES SOBRE AMÉRICA LATINA- EPAL

O XVIII Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina foi realizado no dia 6 de outubro, entre às 14:00 e 17:30 horas, na Sala de Defesa (237),CCA, 2º andar do prédio principal da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Endereço: Avenida Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443. Cidade Universitária, Butantã, São Paulo.

No dia tivemos a seguinte programação:

           Representações de gênero na fotografia contemporânea: Juliana Stein e Alessandra Sanguinetti na 29ª Bienal de São Paulo.
Augusta Gonçalves Amengual (PROLAM/USP)

Resumo: Parte da pesquisa a ser apresentada no EPAL refere-se ao estudo das séries fotográficas que abordam a representação de gênero na 29ª edição da Bienal de São Paulo. Três ensaios fotográficos são analisados: o ensaio Sim e não, de Juliana Stein e os ensaios “Las aventuras de Guille y Belinda y el enigmático significado de sus sue-nos” e “El devenir de sus dias”, de Alessandra Sanguinetti. Com base nos estudos sobre fotografia desenvolvidos por Boris Kossoy, Annateresa Fabris, Michel Foucault; e sobre gênero, desenvolvidos por Judith Butler. Problematiza-se sobre o ativismo político no contexto da fotografia contemporânea e no espaço da 29ª Bienal de São Paulo, assim como reflete a questão de gênero e identidade na América Latina.

O conceito de “formação” no diálogo Candido-Rama
Fábio Salem (Letras/USP)

Resumo: O brasileiro Antonio Candido e o uruguaio Ángel Rama são dois dos maiores teóricos da cultura na América Latina e, a despeito da distância que por vezes resiste entre América portuguesa e hispânica, travaram longo e fecundo contato. Preocupados em pensar a especificidade da cultura na periferia, ambos cunharam conceitos que visavam dar conta da complexidade das interações locais e regionais, tais como “sistema literário” e “redução estrutural” (Candido) e “comarca” e “transculturação” (Rama). Inclusa nessas inovações teóricas, estava a noção fundamental de “formação”, que deu origem a trabalhos importantes como La Formación de la Novela Latinoamericana (1974) e La Ciudad Letrada (1984), por parte do uruguaio, além do clássico Formação da Literatura Brasileira (1957) e “Literatura e Subdesenvolvimento” (1972), de Candido. A ideia de que, no início do século vinte, a América Latina não completara seu processo de modernização, e a percepção (a partir de 1930), de que teria de traçar seu próprio caminho para tanto, constitui ponto essencial para entender toda a produção moderna.
Por meio do conceito de “formação”, Candido e Rama dialogam também com outros importantes intelectuais: Roberto Retamar (“Caliban”), José María Arguedas (“Formación de una cultura nacional indoamericana”) e, mais recentemente, Beatriz Sarlo (“Modernidad Periférica – Buenos Aires 1920-1930”). Vale ressaltar que, com a guinada neoliberal e o abandono dos projetos desenvolvimentistas nacionais, nas décadas de 1980-1990, o debate sobre a “formação” segue mais atual do que nunca na nossa América.


A Revolução Sandinista e a política do PT para a América Latina na década de 80
Marco Antonio Piva (PROLAM/USP)

Resumo: Partindo da Revolução Sandinista, ocorrida na Nicarágua em 19 de julho de 1979, a pesquisa analisa a opção do Partido dos Trabalhadores (PT) por uma política internacionalista com foco na América Latina na década de 80, quando da sua fase de formação e consolidação social. Também estuda as bases teóricas e de princípios dessa política externa do partido neste seu primeiro ciclo de existência, que coincide com o fim da Guerra Fria, a ascensão da era republicana nos Estados Unidos da América e o avanço do conservadorismo neoliberal. Nosso pressuposto é que neste período se constituem os pilares de uma política externa partidária que inspirará, ainda, o futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República (2003-2010).
Seguem algumas imagens do dia e o cartaz do evento:
epal XVIIi
20151006_142456Imagem 20: A pesquisadora Augusta Gonçalves Amengual no XIX EPAL
20151006_150023Imagem 21: O pesquisador Fábio Salem no XIX EPAL
20151006_163003Imagem 22: O pesquisador Marco Piva no XIX EPAL

XIX ENCONTRO DE PESQUISADORES SOBRE AMÉRICA LATINA- EPAL

O XIX Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina foi realizado no dia 3 de novembro, entre às 14:00 e 17:30 horas, na Sala de Defesa (237),CCA, 2º andar do prédio principal da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
Neste dia tivemos a seguinte programação:

Um “empreendimento pioneiro”: Cultura e política na formação da Coleção de Arte Latino-americana do MoMA (1935-1943)

Eustáquio Ornelas Cota Jr. – Mestrando em História Social pela Universidade de São Paulo. Bolsista CNPq.

Resumo: Em meados dos anos 1930s teve inicio o processo de formação da coleção de arte latino-americana do Museu de Arte Moderna de Nova York, mais conhecido como MoMA. O objetivo central do trabalho é refletir sobre a formação dessa coleção, buscando entender as relações entre política e cultura. Para isso, tomamos como fonte a produção institucional contida em catálogos, comunicados oficiais, relatórios e imagens. Questionamos sobre os motivos e intenções que levaram a arte latino-americana estar na pauta da instituição norte-americana desde os primeiros anos de fundação do museu. Entendemos que existe uma forte relação entre esse processo e as diretrizes da política externa americana em relação aos países da América Latina, com destaque para a chamada “política da boa vizinhança”. Alfred Barr Jr., diretor do museu, e também, Nelson Rockfeller, empresário e político, são figuras significativas na configuração dessa trama. Por fim, notamos uma série de vetores políticos e culturais nesse processo, colocando a política cultural do museu longe da imparcialidade.
Palavras-chave: Arte latino-americana; MoMA; Política de boa vizinhança.

Finanças públicas sob a ótica do direito ao reconhecimento e solidariedade social na América Latina

Hygino Sebastião Amanajás de Oliveira (PROLAM/USP).

Resumo: Debruçamo-nos sobre situações – problema que se apresentam no contexto de uma contemporaneidade, porém não está submetido a um limite imposto por um tempo cronológico, tampouco circunscrito a um espaço que possa ser previamente descrito.
Estudar os vínculos de solidariedade social por meio de projetos culturais permitenos analisar realidades distintas e distanciadas do limite tempo-espaço quando revelam traços variados de uma sociedade específica, situando-se num período de liberdade criadora do próprio homem-sujeito, no sentido Kafkiano.
De certo modo, essa liberdade do homem – sujeito do binômio tempo-espaço expressam diferentes aspectos de uma cultura, expondo o que Hanna Arendt denominou “crise da cultura” (ARENDT, 1972, pág.24), porém de significado político considerável, tendo em vista que permite ao homem – sujeito pensar.
Em meio à discussão de solidariedade social destacamos um ponto importante: a política exercida nos grupos sociais e não a partir do Estado. Comum está a análise de poder circunscrita ao comando social estabelecido no aparelho do Estado, no entanto, se ou na falta de ação ou mesmo durante a vigência de um modelo de Estado, a sociedade não prescindirá de solidariedade, justamente para realizar o que o Estado não faz, ou não tem interesse ou ainda não cumpre como fim a ser alcançado para que as relações humanas sejam facilitadas e possamos pensar num futuro coletivo em que a convivência social se expresse em realizações individuais e assim alcance tal sociedade a tão almejada felicidade.
A política assim enfocada revela a existência de uma violência na intimidade, como expõe Luiz Carlos Restrepo em “O Direito à ternura” (VOZES, 1998), a qual é atribuída ao macho, enquanto mulheres e crianças lhe são as vítimas, mas em todos, inclusive os idosos, estão presentes símbolos culturais no sentido de estabelecer uma disputa, ou mesmo, a guerra cotidiana. Desdobram-se os símbolos culturais da violência no sentido de isolar os indivíduos ao invés de aproximá-los ou, como pretendemos observar, torná-los solidários.
A solidariedade social, assim compreendida, importa no reconhecimento de direitos ainda excluídos da maioria dos sujeitos, indivíduos que nem assim foram reconhecidos pela sociedade, tampouco recebem real ou interessada atenção e atendimento das organizações sociais, como escolas, hospitais, empresas, em função de estruturas de poder, como dissemos, criadas a partir dos grupos familiares.
Além do direito à ternura, o direito ao reconhecimento (HONNETH, 2011), parece situar a discussão proposta sob um olhar crítico, de uma teoria social que ultrapassa os muros do Estado para alcançar possibilidades de mudança, e acreditamos ser possível abordar essa discussão por meios de estudos culturais, no entender de Restrepo (“Eduardo Restrepo, Aula Magna intitulada ” Estudos Culturais na América Latina”, organizada pelo Prolam-USP, em 26.03.2104 na Fflch-USP), em destaque para a pesquisa de relações sociais em que a desigualdade se apresenta de forma recorrente em meio ao hibridismo como as sociedades latino-americanas. Em destaque, outra vez, ressaltamos a importância da redistribuição de receitas a fim de reduzir as desigualdades sociais e, ao menos, exercer o esforço mais que necessário, e sim, interessado, na participação efetiva da sociedade civil nas finanças públicas, revelando o poder que nela se origina, em meio à ternura e ao reconhecimento de valores e direitos.

Experiência coletiva e resistência: Estudo de caso de dois grupos de mulheres negras artesãs comparando Brasil e Colômbia

Paula Andrea Rodríguez – Mestranda pelo Programa Integração da América Latina – PROLAM, Universidade de São Paulo. Assistente Social, Universidad Nacional de Colômbia.

Resumo: O objetivo do trabalho é indagar como a experiência coletiva de dois grupos de mulheres negras influi para o empoderamento, a configuração da identidade de ser mulher negra e como mecanismo, para a resistência ante situações de machismo, racismo e desigualdades sociais. Parte-se de uma analise interseccional em contextos específicos, no qual são pensadas como as opressões de gênero, raça e classe atuam sobre a vida das mulheres negras. Para esse fim serão apresentadas as experiências de dois grupos de mulheres negras que trabalham com artesanato, um na cidade de São Paulo – Brasil e outro na cidade de Quibdó – Colômbia.
A partir do oficio artesanal estes grupos não só encontram uma forma de subsistência, conseguem também reivindicar sua identidade e resgatar saberes populares. A independência adquirida contribui para resistir a aquelas formas de trabalho às que historicamente têm sido submetidas em meio de um sistema econômico moderno e capitalista na América Latina no qual são evidentes diferentes formas de opressão e exploração da força de trabalho na região e principalmente em grupos específicos da população.
Nesse sentido, a ordem patriarcal e o racismo, constituem mecanismos que possibilitam explorar a força de trabalho das mulheres negras e por tanto a subordinação destas nesse sistema. Os movimentos de mulheres negras tem contribuído para se pensar e questionar essa ordem, criando formas de organização e formas resistência nos diversos espaços da vida cotidiana. Uma dessas formas é o empreendedorismo a traves do qual busca-se por uma parte, adquirir independência econômica, e por outra o empoderamento destas mulheres nas diversas esferas da vida cotidiana.

Segue abaixo o cartaz do Encontro:

epal XIX

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s