EPAL 2016

Jornada Guerra Civil Espanhola e a América Latina

Comemoração dos 3 anos do Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina- EPAL

O XXV Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina teve uma edição especial, comemorativa dos três anos do Encontro, em que refletimos sobre os 80 anos da Guerra Civil Espanhola e seus desdobramentos na América Latina. A edição especial do EPAL foi no dia 23 de novembro, quarta-feira, das 9 às 17 horas, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).

Na ocasião tivemos a seguinte programação:

9h00: Abertura – Comemoração dos três anos do EPAL

 

9h15: O Brasil e a Guerra Civil Espanhola- Ismara Izepe de Souza (RI-UNIFESP)

RESUMO: Nessa palestra serão realizadas considerações sobre os reflexos da Guerra Civil Espanhola (1936-1939) no Brasil, em várias dimensões. Analisaremos a mobilização da intelectualidade brasileira e dos imigrantes espanhóis em defesa de ambos os lados conflitantes na Espanha. Abordaremos as relações diplomáticas entre Brasil e Espanha, procurando identificar os aspectos de convergência política-ideológica entre o Governo Vargas e os franquistas, bem como os fatores que explicam a manutenção das relações diplomáticas com a República espanhola.

 9h45: Pablo Neruda e a Guerra Civil Espanhola – Horácio Gutiérrez (História-FFLCH)

RESUMO: A Guerra Civil espanhola teve no Chile um profundo impacto. A perversidade da Guerra concitou ampla solidariedade da sociedade chilena com os republicanos, em particular de parte dos intelectuais. Nesse processo destacou-se a figura de Pablo Neruda como um comprometido ativista na busca de apoios políticos, a formação de redes de escritores, publicação de revistas e, com destaque, no empenho para habilitar um navio, o Winnipeg, que pudesse levar refugiados espanhóis ao Chile, o que de fato acabou acontecendo.

 10h15:Espanhóis na América Latina: resistência e arte – Margarida Nepomuceno (PROLAM-USP/CESA)

RESUMO: Cerca de um milhão de espanhóis cruzaram mares e montanhas fugindo das perseguições dos vitoriosos franquistas. Muitos vieram para a América Latina. Só a Argentina recebeu 25 mil famílias, segundo recente levantamento da historiadora Vera Lucia Vieira. Entre os refugiados, artistas, jornalistas e literatos incorporaram-se a uma nova vida nas Américas contribuindo para criar uma consciência crítica sobre o que se passava na Espanha e no mundo… com ações políticas, poesia e arte.

10h45: Debate

12h00-14h00: Almoço

14h30: “Vive como te gustaría que se viviera en el futuro”: Gustavo Cochet durante os anos da Guerra Civil Espanhola –Margareth Santos (Letras-USP)

RESUMO: Os 80 anos do início da Guerra Civil Espanhola têm suscitado inúmeras discussões e publicações, não apenas sobre as atrocidades cometidas durante o conflito, mas também sobre a necessidade de articular um novo discurso acerca do golpe de estado de 1936, impostoao governo legítimo da II República espanhola.
No âmbito dessas ponderações, ganha relevância o papel de artistas latino-americanos que se sentiram compelidos a lutar pelo ideal republicano espanhol, entre esses personagens, encontra-se o pintor argentino Gustavo Cochet, que usou sua arte e seu discurso como armas contra o fascismo e a favor da revolução espanhola.
A fim de delinear uma reflexão sobre o conflito e suas consequências, pretendemos discutir o papel de Cochet e de sua arte durante a Guerra Civil Espanhola sob uma perspectiva calcada na instabilidade entre o vivido e o recordado. Em nosso debate, esmiuçaremos a composição de suas estampas da série “Caprichos”, em que a dor e a morte delineiam-se com uma proximidade asfixiante, como nas figuras perpetuadas pelos desastres da guerra goyescos.
Assim, esperamos demonstrar como o cenário da contenda visto por Cochet se plasma através da minúcia e da condensação em detrimento da paisagem dilatada e move-se por terrenos em que a intimidade do olhar se revela como elemento deflagrador de suas concepções do combate e suas implicações.

15h00: O II Congresso de Escritores pela Defesa da Cultura na Espanha (1937) e a participação dos intelectuais antifascistas do Cone Sul – Ângela Meirelles (História- FFLCH)

RESUMO: Esta comunicação pretende abordar as repercussões do II Congresso de Escritores pela Defesa da Cultura, ocorrido na Espanha em 1937. Em meio ao conflito, intelectuais de diversos continentes se reuniram a fim de reafirmar os propósitos antifascistas e o apoio à Espanha republicana. Entre eles estavam muitos latino-americanos, como os argentinos Raúl González Tuñón e Córdoba Iturburru, ativos militantes da Agrupación de Intelectuales, Artistas, Periodistas y Escritores (AIAPE) daquele país. As repercussões no Uruguai e a pequena mobilização brasileira em torno do tema, naquele momento, podem indicar a importância da uma organização interna para a circulação de ideias.

15h30: Café

15h45: Debate

17h00: Encerramento

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XXIV ENCONTRO DE PESQUISADORES SOBRE A AMÉRICA LATINA-EPAL

O XXIV Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina (EPAL), teve a edição dedicada ao Paraguai. O encontro ocorreu no dia 14 de setembro, das 14 às 17:30 horas, na sala 237, sala de defesa, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).

No dia contamos com a seguinte programação:

PARAGUAI, UMA DEMOCRACIA EM APUROS

JOSÉ APARECIDO ROLON (FFLCH/USP;FAC, UMC)

Resumo: A transição política paraguaia para a democracia iniciou-se em 1989 através de um golpe militar. Porém a partir daí apresentou certa vitalidade, ao longo da década de 1990 com inúmeros percalços é verdade, entretanto nesse período o país elabora uma nova Constituição, participa da construção do Mercosul integrando-se à ele e mantendo-se na observância dos preceitos democráticos. Em 2008, saudou-se a eleição de Fernando Lugo. Todavia em 2012 teve um grave revés com a destituição do presidente através do impeachment. Este trabalho pretende discutir e caracterizar esse processo, debatendo os interesses envolvidos como os de natureza política, econômicos e nacionais, incluindo aqueles da política externa norte-americana. Assim avaliar as consequências desse desfecho e as perspectivas para a democracia do país, bem como a sua relação com o Mercosul.

Palavras chave: Paraguai, democracia, instabilidade política

IDENTIDADES EM CONFRONTO: IMAGENS DO BRASIL E DO PARAGUAI NOS JORNAIS O ESTADO DE SÃO PAULO E LA TRIBUNA DURANTE O CASO DOS SALTOS SETE QUEDAS/GUAIRÁ (1963-1966).

EMILIO COLMÁN (HISTÓRIA SOCIAL/USP)

Resumo: Esta pesquisa tem por objetivo analisar as reconfigurações das identidades nacionais no Brasil e no Paraguai mobilizadas por dois importantes jornais — O Estado de São Paulo (Brasil) e La Tribuna (Paraguai), entre 1963 e 1966.  Nesse período foi lançado, de forma unilateral pelo Brasil, um projeto de construção de uma usina hidrelétrica na fronteira entre os dois países – depois Itaipu. Polêmicas sobre um litígio fronteiriço na região dos Saltos de Sete Quedas/Saltos do Guairá foram recuperadas e rearticuladas aos projetos nacionais dos dois países. Os jornais foram tomados como fonte e objeto, a partir do acompanhamento da cobertura da contenda. Buscou-se, portanto, compreender de que modo os periódicos mobilizaram e reforçaram identidades, recuperaram imagens do Brasil e do Paraguai e assim defenderam seus próprios projetos políticos.

O PAPEL DE JUAN NATALICIO GONZÁLEZ NA DIFUSÃO E CONSOLIDAÇÃO DO REVISIONISMO HISTÓRICO PARAGUAIO NA HISTÓRIA LATINO-AMERICANA

MARCELA QUINTEROS (HISTÓRIA SOCIAL/USP)

Resumo: Juan Natalicio González foi um intelectual e político paraguaio que, através de diversas atividades, facilitou a divulgação da interpretação revisada da história paraguaia de inícios do século XX, conhecida como revisionismo histórico paraguaio. González despregou diversos mecanismos – escrita ensaística, criação de editoras e revistas, inserção em grupos intelectuais latino-americanos, entre outros – para difundir uma história revisitada que consagrava a figura do Marechal Francisco Solano López e o povo paraguaio como heróis nacionais, apesar da derrota na Guerra da Tríplice aliança no século XIX. A nível nacional, o objetivo era recuperar a autoestima; a nível internacional, situar positivamente o Paraguai na história latino-americana. Através desta exposição se pretende demostrar que González teve um papel protagônico e bem sucedido na consolidação de revisionismo paraguaio na escrita da história continental.

Palavras Chaves: Juan Natalicio González; Revisionismo histórico paraguaio; História latino-americana.

Segue abaixo o cartaz do evento:

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XXIII EPAL – Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina 

O XXIII EPAL – Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina, da Universidade de São Paulo, realizou-se no dia 10 de agosto, das 14h00 às 17h30 na sala  218, 2º andar na ECA- Escola de Comunicação e Artes.  Na ocasião contamos com três pesquisadores, sendo eles:

 Imigrantes no Brasil e na Argentina:
Políticas de Atração, Fluxos, Atividades e Deslocamentos
São Paulo e Buenos Aires, 1870-1930

ANDRÉ LANZA ( Mestre/PROLAM e Doutorando/FFLCH)

Resumo
O presente trabalho tem como objetivo analisar, comparativamente, as políticas de atração, as atividades, os fluxos e deslocamentos dos imigrantes no Brasil e Argentina, focalizando mais especificamente as regiões de São Paulo e Buenos Aires, no período de 1870 a 1930. Procuramos, para os dois países e regiões, identificar as semelhanças e diferenças nas políticas implementadas visando a atração de imigrantes, observar o comportamento dos fluxos migratórios e examinar o papel dos imigrantes na composição das populações e a sua atuação em atividades econômicas nos meios rural e urbano. Examinamos também o fluxo de imigrantes entre o porto de Santos e o porto de Buenos Aires no período, analisando números e origem dos emigrantes assim como as motivações aventadas nas fontes e pela historiografia. As fontes revelaram diferenças e semelhanças entre os processos migratórios para Brasil e Argentina. Durante todo o século XIX, tanto no Brasil quanto na Argentina, a necessidade de povoar territórios e encontrar mão de obra para sustentar o desenvolvimento da agricultura agroexportadora norteou os debates governamentais sobre o fomento da imigração. Além de ser uma solução para a falta de braços nas lavouras e para o povoamento de territórios, nos dois países a imigração era vista como o caminho para o progresso, para a modernização da sociedade e para o branqueamento da população. A partir de 1870 até 1930, período das grandes migrações, Brasil e Argentina foram os países que mais receberam imigrantes na América Latina. O Brasil recebeu mais 4,1 milhões de imigrantes e mais de 6,2 milhões se dirigiram para a Argentina. Nesse período, a política de subsídios, custeando as passagens transatlânticas, hospedagem e colocação nas fazendas de café, foi implantada com sucesso no estado de São Paulo. Na Argentina, houve o predomínio da imigração espontânea. As políticas liberais e os altos salários pagos nas épocas de colheitas do trigo e milho também tiveram êxito em atrair estrangeiros. As fontes revelaram também uma mobilidade geográfica e deslocamentos frequentes e de caráter sazonal dos imigrantes entre São Paulo e Buenos Aires. As informações e dados compilados para a confecção deste trabalho foram coletados de diversos tipos de fontes: fontes governamentais, legislações, censos, relatório, estatísticas. Os arquivos consultados correspondem a acervos físicos e online.

A Relação entre EUA e Venezuela (2004)
TIAGO SANTOS SALGADO (Doutorando em História pela PUC-SP)

Resumo

Através de documentos confidenciais da embaixada dos EUA em Caracas, disponíveis no site Wikileaks, pretende-se analisar a atuação dos EUA na correlação de forças políticas e sociais na Venezuela durante o ano de 2004, quando ocorreu o referendo revocatório do então presidente Chávez no país.
Dessa forma, a documentação permitiu verificar como os EUA buscaram interferir no contexto político venezuelano, apoiando partidos e organizações de oposição ao governo Hugo Chávez. Tal apoio se deu através de diversas formas, entre elas o financiamento direto, o treinamento político e até mesmo aconselhamento político e econômico para a oposição venezuelana. Também será abordado a relação entre os EUA, o Mercosul e a política externa de Chávez, que foi alvo de constantes ataques do corpo diplomático estadunidense em Caracas.
Assim, pretende-se traçar algumas linhas, mesmo que de forma introdutória, sobre como os EUA continuam intervindo nos países da América Latina, assim como aconteceu durante todo o século XX, quando as eleições em países latino-americanos elegem governos populares, que de alguma forma, não atendem aos interesses diretos dos EUA.

O Pensamento Crítico de Jacob Klintowitz na I Bienal Latino-Americana de 1978 e o Legado Contemporâneo
CARLA FATIO ( Doutora pelo PROLAM)

Resumo
Na análise empreendida, trazemos um breve recorte sobre o único Simpósio que reuniu o maior número de críticos de arte da América Latina e Caribe em uma Bienal do continente latino-americano. Entre as vinte e uma teses apresentadas, ressaltamos a tese de Jacob Klintowitz: “A implantação de um modelo alienígena exótico e outras questões pertinentes: a seleção brasileira de futebol de 1978”.
Ressaltamos seu papel crucial, ativo, e ao mesmo tempo, polêmico, como jornalista e crítico de arte. Uma reflexão extremamente contemporânea ao que se passou quando o Brasil ganhou o Penta na Copa de 1978, somado ao panorama de poderes que se desenhava na época, dentro de uma conjuntura sociopolítica no cenário cultural brasileiro.

Segue abaixo o cartaz do evento:

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XXII EPAL – Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina 

 

O XXII EPAL – Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina, da Universidade de São Paulo, a realizou-se no dia 11 de maio, entre às 14h00 e 17h30 na sala  de defesa (237), 2º andar na ECA- Escola de Comunicação e Artes.  Na ocasião contamos com quatro pesquisadores:

Aliança do Pacífico: um estudo da iniciativa de integração produtiva na América Latina
Alessandra Cavalcante de Oliveira
Mestre e doutora pelo Programa de Pós-graduação em Integração da América Latina

A intensificação das cadeias de valor na economia mundial tem despertado cada vez mais o interesse dos governantes pelo espaço regional uma vez que os processos produtivos articulam-se principalmente entre países de uma mesma região. Este efeito tem levado diversos governos da América Latina a identificar a importância de fortalecer a articulação produtiva entre suas economias, ou seja, promover a integração produtiva a fim de alcançar uma melhor inserção no mercado mundial. É neste contexto que nasce a Aliança do Pacífico – iniciativa integracionista composta pelo México, Chile, Colômbia e Peru. Criado em 2012, o bloco visa promover o desenvolvimento econômico dos países integrantes a partir da transformação produtiva. Para tal feito, a Aliança do Pacífico busca incentivar a integração produtiva para criar cadeias regionais de valor, que contribuiria para diversificar a produção, intensificar o comércio na região e se tornar menos dependente da exportação de bens primários. A partir desta compreensão, busca-se analisar o potencial do bloco em desenvolver cadeias regionais de valor e conseguir uma melhor inserção nas cadeias globais. Para tanto, investigam-se os principais entraves e oportunidades a fim de analisar as possibilidades da Aliança do Pacífico em consolidar o seu projeto de integração produtiva. O resultado da análise revela que apesar dos esforços da Aliança do Pacífico em promover a integração produtiva existem inúmeros obstáculos que dificultam a concretização do projeto. Mas à medida que as ações sejam implementadas é possível que o processo de integração produtiva possa ser concretizado.

Política Exterior de Venezuela para América Latina durante el gobierno de Hugo Chávez
Ana Sofia Garcia Salas 
Mestranda do PROLAM/USP

Nuestro trabajo tiene como objetivo estudiar la política exterior de Venezuela para América Latina durante el mandato del ex presidente Hugo Chávez 1999-2013. Abordándola desde un punto de vista doméstico, a través de los documentos oficiales y, en el ámbito internacional relacionándola con el MERCOSUR. Nuestra intención con esto es comprender las estrategias de los dos países ricos en energía, durante gobiernos de la misma tendencia política, pero, en una realidad económica diferente. Brasil con su economía más dinámica y capitalista y Venezuela con su economía rentista y socialista.

O movimento estudantil mexicano de 1968. Aproximação em chave latino-americana
Andrés Donoso Romo
Doutor pelo Programa de Pós-graduação em Integração da América Latina
Pesquisador na Universidade de Playa Ancha, Valparaíso, Chile

A apresentação, de viés histórico e pretensões interpretativas, porá seu foco no movimento estudantil mexicano da década de 1960, aquele que foi esmagado pela brutalidade das armas em 2 de outubro de 1968, e aprofundará nos papeis que esses estudantes atribuíam a educação na construção de sociedades mais justas. Para conseguir este objetivo vai se inscrever ao movimento estudantil dentro das dinâmicas políticas, sociais e culturais que experimentava o país e a América Latina durante o terceiro quarto do século XX. Um exercício que permitirá constatar que os manifestantes tinham múltiples demandas e que elas se ancoravam em diferentes noções sobre os vínculos entre a educação e a transformação social. Aproximação que também permitirá, diálogo mediante, perceber as muitas semelhanças que houve entre os movimentos estudantis  no México e no Brasil nesses mesmos anos.

A Integração Sul-Americana em Disputa: Dilemas e Desafios em Tempos de Mercosul, Unasul e Aliança do Pacífico
Fabiana de Oliveira
Mestre e doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Integração da América Latina

A polarização entre dois projetos antagônicos não é uma característica atual apenas do cenário político interno dos países que compõem a América Latina, mas também se faz evidente nos debates com respeito ao modelo de integração regional a ser impulsado pelo subcontinente. Propostas mais endógenas e protagonizadas pelos Estados nacionais passaram a sofrer, a partir de 2012, uma significativa desaceleração, ao mesmo tempo em que uma nova correlação de forças na região refletiu no surgimento de alternativas integracionistas de caráter exógeno, menos vinculantes e que tem os mercados como principais impulsores. O presente artigo pretende apontar os fatores que levaram à perda de intensidade de iniciativas como o Mercosul e a Unasul, ao mesmo tempo em que se propõe a identificar de que maneira a Aliança do Pacífico tem contribuído para um novo redesenho da integração latino-americana.

Segue abaixo nosso cartaz:

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XXI EPAL – Encontro de Pesquisadores da América Latina – reúne dia 14 de abril pesquisas  sobre Honduras,  Haiti e México

A 21ª edição do EPAL – Encontro de Pesquisadores da América Latina, da Universidade de São Paulo realizou-se no dia 14 de abril, entre às 14h00 às 17h30 na sala 203, 2º andar na ECA- Escola de Comunicação e Artes.  Na presente edição tivemos três estudos, alguns concluídos outros em fase de conclusão, que abordaram temáticas da atualidade de países da América Latina. Samantha Araújo analisou a cobertura noticiosa de periódicos brasileiros e de um jornal hondurenho sobre a deposição do presidente Manuel Zelaya; Waldo Lao aprofundou sua pesquisa sobre o Movimento Zapatista e a luta pelos direitos dos indígenas e Raíssa Londero desenhou o trágico cenário que envolve a escravidão de milhares de crianças no Haiti.

Os três pesquisadores são pós graduandos do PROLAM – Programa de Integração da América Latina – da Universidade de São Paulo,  responsável pela criação desses encontros mensais entre interessados em América Latina.

Seguem abaixo os resumos dos trabalhos, algumas imagens do dia e o cartaz do evento:

Notícias de Honduras: Uma leitura crítica da cobertura dos jornais diários

sobre a deposição de Manuel Zelaya

Samantha M. Araújo – Mestre pelo Prolam

A presente pesquisa tem como objetivo investigar como a retirada de Manuel Zelaya da Presidência de Honduras em 2009 foi narrada pelos jornais brasileiros O Estado de S. Paulo e O Globo e pelo jornal hondurenho La Tribuna. O objetivo é verificar se os relatos dos veículos selecionados sobre a crise em Honduras conseguiram construir uma compreensão do acontecimento por meio da produção de reportagens que contivessem as quatro vertentes do Jornalismo interpretativo: o aprofundamento do contexto, a humanização do fato, o resgate das raízes históricas e o diagnóstico/prognóstico das fontes especializadas. O episódio em Honduras é representativo como estudo de caso por ajudar a revelar e compreender as limitações com que o Brasil, em geral, e o jornalismo brasileiro, em especial, lidam com temáticas da América Latina. Empregamos como metodologia a pesquisa exploratória e o método histórico, especialmente por meio de fontes primárias e secundárias de pesquisa relacionadas à história de Honduras. Também foram utilizadas como instrumentos de pesquisa entrevistas com especialistas e cidadãos hondurenhos, a partir das quais foram produzidos ensaios-reportagens condizentes com a narrativa da contemporaneidade. Além de recorrer às técnicas de leitura cultural, a pesquisa usou, de modo complementar, a Análise do Discurso. A pesquisa revelou como a abordagem objetiva dos veículos de comunicação é insuficiente para retratar a realidade política de um país, o que mostra a necessidade de se buscar outros paradigmas para construir uma narrativa verdadeiramente dialógica.

A escravidão doméstica infantil no Haiti: estudo sobre o fenômeno dos Restavek’s e reflexão comparativa sobre casos semelhantes no Brasil

Raíssa Maria Londero – Mestranda do Prolam

A presente pesquisa apresenta um estudo teórico e etnográfico sobre o fenômeno dos Restavek’s no Haiti, ou seja, a escravidão doméstica infantil do país caribenho que assola atualmente cerca de 300 (trezentas) mil crianças, e uma reflexão comparativa com casos análogos no Brasil. A escolha pela apresentação comparativa justifica-se pela atual conjuntura internacional estabelecida entre estes dois países da América Latina, na qual o estreitamento das relações sociais e a convivência necessária entre os povos destes países se comunicam cada vez mais, seja através do processo de imigração para o Brasil, seja pelo processo de intervenção humanitária (MINUSTAH), da Organização das Nações Unidas, e que o Brasil teve destaque em sua participação por lidera-la. Além disto, esta aproximação considerou-se importante pelo fato de o Brasil formalmente já ter superado as práticas escravagistas oriunda de seu processo de colonização e, encontra-se atualmente estabilizado, em relação ao Haiti, em suas dimensões institucionais, podendo, assim, através da integração com os haitianos eventualmente colaborar na conscientização de que a prática da escravidão infantil prejudica o desenvolvimento de um país. Neste sentido, o objetivo geral do trabalho consistiu em trazer à tona este fenômeno escravagista infantil pouco conhecido na América Latina e no mundo, relacionando-o com práticas semelhantes que ocorrem ainda no Brasil a fim de apresentar de forma integrativa a problemática social e eventualmente provocar interesses no desenvolvimento de políticas internacionais voltadas às suas respectivas erradicações.

O movimento zapatista: Na construção da sua autonomia

Waldo Lao –  Mestre e Doutorando do Prolam

A insurreição armada do EZLN colocou no centro do debate nacional a luta pelos direitos dos povos indígenas. Após doze dias de guerra, foi iniciado um diálogo entre o governo e os rebeldes, na procura de uma solução pacífica para o conflito. Somente em 1996, seriam assinados os primeiros acordos – de um grupo de seis – chamados de Sán Andrés Larraínzar, sobre “Direitos e Cultura Indígena”. E apenas em agosto de 2001, esses acordos seriam constitucionalmente reconhecidos e, no entanto, sem correspondência à proposta original firmada entre as partes. Por conta dessa traição política do governo, os zapatistas criaram, em 2003, os Caracóis e as Juntas de Bom Governo (J.B.G), nas suas cinco regiões de influência, como uma proposta que, “desde abajo”, pretende fortalecer seu processo autônomo. Para eles, a luta e a ética comunitária passam pela lógica e pela prática do “mandar obedeciendo”, onde o povo manda e o governo obedece.

Segue abaixo o cartaz do XXI EPAL:

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Imagem: Pesquisadora Raíssa Londero no XXI EPAL.

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Imagem 2: Pesquisadores Samantha Maia e Raíssa Londero na rodada de perguntas do XXI EPAL.

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Imagem 3: Pesquisador Waldo Lao apresentando sua pesquisa no XXI EPAL.

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Imagem 4: Pesquisadores no final do XXI EPAL

XX ENCONTRO DE PESQUISADORES SOBRE AMÉRICA LATINA– EPAL

Prezados amigos latinoamericanistas,

É com grande alegria que iniciamos as atividades do Encontro de Pesquisadores sobre a América Latina (EPAL) no ano de 2016 e que tivemos o XX EPAL, que foi realizado no dia 17 de abril de 2016, das 14:00 às 17:30 horas, na sala 218, segundo andar, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).

Na ocasião tivemos os seguintes participantes:

Exílio e antifascismo: intelectuais brasileiros nos países do Prata

Angela Meirelles de Oliveira

Doutora em História Social pela FFLCH/USP e Mestre em Integração da América Latina pelo PROLAM/USP.

Resumo

A comunicação recupera as trajetórias políticas dos intelectuais brasileiros José Barboza Mello e Pedro Mota Lima, que estiveram exilados no Uruguai e na Argentina após a perseguição sofrida por conta dos movimentos comunistas de 1935, no Brasil. No combate aos governos autoritários e à expansão do fascismo, estes exilados atuaram ativamente na imprensa das organizações antifascistas do Uruguai e da Argentina e serviram de mediadores culturais e políticos da situação brasileira, especialmente com relação à Aliança Nacional Libertadora (ANL) e seu líder, Luiz Carlos Prestes. Buscamos comprovar como a experiência do exílio pode ser prolífica na promoção de mediações políticas e dos intercâmbios culturais no contexto da luta antifascista.

Diplomacia cultural y diplomacia de las letras.

El caso de Germán Arciniegas en Argentina

Carlos Suárez

Mestre e doutorando no Programa de Pós Graduação em História Social da FFLCH – USP

Resumen 

El escritor colombiano Germán Arciniegas se desempeñó como diplomático en Argentina entre 1939 y 1941, años durante los cuales proyectó y desarrolló una serie de atividades de promoción de cierta imagen de la tradición cultural y política de su país, así como promovió el intercambio entre espacios artísticos, literários, periodísticos y editoriales de Colombia y Argentina. La presentación enfatiza en los sentidos diplomáticos, pedagógicos e ideológicos de la mediación ejercida por Arciniegas entre estos espacios nacioanles de producción cultural, discutiendo nociones como “diplomacia cultural” y “diplomacia de las letras”. Finalmente, la presentación propuesta  pone de relieve las condiciones particulares desde las que se concibió e impulso dicha mediación, especialmente las características propias de la condición del escritor-diplomático: las afinidades entre ambas atividades, la naturaliza y relación de los universos sociales por lo que le fue posible transitar a quien las ejerció, y la compatibilidad que el próprio Arciniegas vió entre ellas.

A Missão Cultural Brasileira no Uruguai.

A Construção de um modelo de Diplomacia Cultural do Brasil na América Latina (1930-1945)

Margarida Nepomuceno

Mestre e Doutora pelo Programa de Pós Graduação em Integração da América Latina (PROLAM/USP)

Resumo

A partir do governo de Getúlio Vargas, os intercâmbios  culturais do Brasil com países da América Latina ampliaram-se e tornaram-se parte de um programa de cooperação cultural conhecido por Missão Cultural Brasileira. Constituída por diplomatas, educadores e intelectuais, as missões contribuíram para levar aos países, inicialmente da Região do Prata, propostas de organização cultural compartilhada em torno da criação de institutos culturais que ensinassem o idioma Português e difundissem a cultura brasileira. No Uruguai, o Instituto Cultural Uruguaio-Brasileiro, fundado em 1940, foi além disso. Habilitou uruguaios para o ensino do idioma, criou um método pedagógico próprio, editou publicações, incentivou a organização de professores e estudantes que colaboram na difusão da cultura brasileira e uruguaia, disponibilizou o espaço para a formação de redes culturais, tais como as comissões de intercâmbios universitários, os clubes de música, de teatro, de dança. Enfim, durante várias décadas, o ICUB, como é conhecido o instituto em Montevidéu, alinhavou sob o manto da cultura as comunidades de intelectuais e as elites políticas dos dois países. O Brasil (como também o Uruguai) soube se beneficiar da herança cultural das Conferências Pan-americanas, durante as quais criaram-se oportunidades para a constituição de um sistema de cooperação cultural entre os países da América Latina.

Seguem abaixo o cartaz do XX EPAL e algumas imagens do dia:

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Imagem 1: Pesquisador Carlos Suárez no XX EPAL.

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Imagem 2: Pesquisa Margarida Nepomuceno apresentando sua pesquisa no XX EPAL.

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Imagem 3: Demais pesquisadores assistindo a apresentação da Margarida Nepomuceno.

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Imagem 4: Rodada de perguntas com os convidados.

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